Contraponto 2 - Um ajuste sem dó nem piedade...
O Japão é um país reconhecido como vanguarda na inovação tecnológica, pela qualidade de seus produtos e pelo alto nível de educação do seu povo. Na segunda metade do século XX, construiu a mais poderosa máquina de criar e acumular riquezas e tornou-se a segunda maior economia do mundo . Nos últimos 15 anos a economia japonesa perdeu brilho e dinamismo, apesar dos esforços empreendidos pelas autoridades.
Na Europa os países são, na sua maioria, membros de uma espécie de “paraíso do bem estar social”. Coletivamente formam a maior economia do mundo, exibem altos níveis educacionais e de qualidade de vida, além de uma extraordinária infraestrutura social - dos 25 países de mais elevado IDH no mundo, 17 estão na Europa. Nos últimos anos, com raras exceções, perderam progressivamente sua competitividade e o seu dinamismo econômico e, após a crise de 2008, viram a dívida pública crescer de forma acelerada, além de enfrentarem recessão e desemprego.
No final de 2007, os EUA apresentavam déficits gêmeos, ou seja, déficit público e nas contas externas. Com a crise financeira de 2008 o quadro deteriorou-se rapidamente:
“A situação americana não poderia ser pior. O país está em recessão, a maioria da população e das empresas está endividada, o déficit público e o estoque da dívida atingiram níveis alarmantes, a população não poupa absolutamente nada, os bancos e as empresas estão colhendo prejuízos. Apesar da recessão, o nível remanescente da atividade econômica e do consumo gera déficits externos próximos a 5% do PIB. Além disto, o sistema financeiro está paralisado e flertando com a insolvência, o desemprego tem crescido de forma profunda, muitos setores têm problema de gestão e de eficiência e somente sobrevivem à custa de subsídios ...”
A diferença entre as economias americanas, japonesa e européia pode estar na velocidade e na agilidade com que os EUA promovem os ajustes. Diante da necessidade, eles assimilam o golpe, realizam os prejuízos e recomeçam o jogo. Vejamos:
Mais de 7.2 milhões de empregos formais foram destruídos desde o início da crise em 2007 resultando em um ajuste nas contas externas, onde o déficit de quase 800 bilhões de dólares ao final de 2006 foi reduzido pela metade no final de 2009.
Haveria uma correlação entre o atual nível de desemprego e o ajuste externo nos EUA? Quais seriam as conseqüências da volta do pleno emprego por lá? Como outras nações lidariam com um ajuste econômico que resultasse em um desemprego desta magnitude?
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