quarta-feira, 3 de março de 2010

O ajuste americano após a crise - Parte 2

Contraponto 3 - O ajuste no comércio externo dos EUA


O mercado tem depositado esperanças em uma recuperação rápida e vigorosa da economia americana, mas se isto ocorresse de fato, quais seriam as conseqüências? Parece conveniente, mas não exaustivo, analisar os impactos da crise de 2008 sobre o comércio externo dos EUA.


Importações: Em 2008, as importações americanas tiveram um aumento médio anual sobre 2007 da ordem de 7,5%. O fator isolado que mais contribuiu para o crescimento das importações americanas no período foi a alta do preço das commodities ocorrida entre 2007 e 2008. Onde as importações americanas tiveram um incremento substancial foi: na Venezuela de 3.3 para 4.2 bilhões de US$ ou 28,9%, Oriente Médio em geral de 6.4 para 9,2 bilhões de US$ ou 43,5% e a Arábia Saudita de 2,9 para 4,5 bilhões de US$ ou 53,7%.


O agravamento da crise no final de 2008 foi seguido por uma queda no preço das commodities. Em 2009 as importações americanas caíram 28% em valor. A redução ocorreu generalizadamente, porém, de forma assimétrica entre as regiões e os países. Os principais impactos da redução das compras americanas em 2009 podem ser vistos na tabela 1.


Exportações: Em 2008, as exportações americanas cresceram 12,2% sobre o nível de 2007. Não foi possível identificar o fator isolado que mais contribuiu para o crescimento das exportações, que foram mais expressivas para o Oriente Médio com um incremento de 50,9% e para o Brasil com 33,7% - tabela 3.


Em 2009, as exportações americanas sofreram uma redução de 20,7% sobre 2008. Ela ocorreu generalizada e simetricamente entre as regiões e os países. A simetria da queda talvez esteja relacionada ao fato de que mais de 90% das exportações americanas são de “produtos não agrícolas".


O déficit dos EUA é especialmente elevado com a Ásia e o Pacífico e continua elevadíssimo com a China, na média mais de 18 bilhões de US$ por mês, porém as exportações americanas para a China recuaram menos da metade da média geral.


A recessão global, o elevado desemprego e a queda da demanda interna nos EUA, resultaram na queda dos preços das commodities o que têm ajudado, até agora, o ajuste das contas externas dos EUA (vide a edição nº 2 do Contraponto). Será que a recuperação da economia global sem uma mudança significativa no modelo de produção e consumo traria um novo ciclo de elevação das commodities e do déficit externo americano?


Para receber o Contraponto 3 na integra solicite pelo email Faustomorey@hotmail.com

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