sábado, 13 de março de 2010

O Real e as contas externas do Brasil

Contraponto 4. As transações correntes

O futuro da economia de um país depende, entre outros fatores, de investimentos, educação, conhecimento e inovação e do aumento da produtividade. Estes fatores propiciam um autêntico ganho de renda, o barateamento dos preços dos bens e serviços e a melhoria da competitividade externa do país.

O Real valorizado, a inflação bem comportada, a taxa de juros mais baixa das últimas décadas e uma oferta de crédito abundante e mais acessível, foram decisivos à elevação do padrão de vida para parcelas significativas da população.

Está tudo muito bem, as pessoas trabalham para, inclusive, terem acesso aos bens materiais que ajudam a produzir. Tudo certo, mas sempre há um “porém” para atrapalhar. O “porém” aqui é saber se as melhorias obtidas são sustentáveis.

Será que o Real ???

A partir de maio de 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, as contas públicas brasileira melhoraram. Entre 2002 e 2008, aproveitando a pujança do comércio global, o Brasil mais que triplicou suas exportações e ampliou suas importações o que permitiu uma rápida modernização da sua indústria.

Com a melhora da imagem do país, acorreu um fluxo de capitais externos que, adicionados aos elevados saldos comerciais, produziram superávits nas transações correntes. Com estes recursos pagamos parte substancial da dívida externa e acumulamos reservas cambiais em níveis “nunca antes vistos”, um verdadeiro ciclo virtuoso.

Algo está fora da ordem?

As curvas do valor nominal do EURO, do US$ e, do aqui nominado, “Dólar Corrigido” (cotação do dólar antes da desvalorização cambial do início de 1999 corrigido pelo IGPM do período - linha azul). Parece haver uma correlação intrigante entre o valor relativo do “Dólar Corrigido” e o superávit nas transações correntes: 


- No final de 2001, o EURO e o US$ estavam bem apreciados em relação ao “Dólar Corrigido” e apreciaram-se ainda mais até o início de 2005. A partir de 2002 e até 2007, o Brasil obteve superávits comerciais substanciais;
- Em 2007, o “Dólar Corrigido”, que no ano anterior havia superado o valor nominal do US$, superou também o do EURO. Em 2008, os saldos comerciais começaram a diminuir;
- Hoje, o “Dólar Corrigido” vale 20% mais que o Euro e 50% mais que o US$ nominal. 


O Brasil saiu de um superávit em transações correntes de US$ 13,6 bilhões em 2006 para um déficit previsto pelo Banco Central para 2011 de mais de US$ 50 bilhões, nível bem superior ao que deflagrou a crise de 1999, a diferença é que hoje dispomos de reservas cambiais.

É possível verificar a redução de mais de 50% no saldo acumulado da balança comercial no ano considerado até a primeira semana de março de 2010, sobre igual período de 2009. Será que estamos diante de algum tipo de desajuste macroeconômico? O que acontecerá com o Real? Para muitos, um ano eleitoral poderia ser uma dica para o Governo “relaxar” na condução da economia. Será mesmo?

Para receber o Contraponto 4 na integra solicite pelo email Faustomorey@hotmail.com

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