terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Contraponto especial 3 - A crise de 2008 e a guerra cambial

São Paulo – Especial 3, 12 de outubro de 2010


Crescimento, alavancagem e especulação
A partir do final da década de 1990 muitos países experimentaram um vigoroso crescimento econômico com baixas taxas de inflação. A economia global foi tomada pelo otimismo, apesar da ocorrência de crises isoladas e do grande susto do estouro da “bolha da tecnologia”.
Muitos creditam este boom às inovações tecnológicas, à globalização, à redução de barreiras comerciais, à adoção progressiva de regras liberalizantes nos sistemas financeiros dos países centrais do capitalismo que propiciaram elevados níveis de alavancagem, entre outros fatores.
Porém, o crescimento econômico tem sido desigual, enquanto a China cresce vigorosamente, o Japão, desde o estouro de sua bolha imobiliária nos anos 90, não cresce. Já o Brasil apenas conseguiu taxas de crescimento na média mundial nos últimos anos, para muitos, em decorrência da elevação dos preços das commodities e da abundância de recursos financeiros no mundo.
O fato das economias serem interligadas, com baixa restrição às movimentações dos recursos financeiros, propicia aos agentes econômicos trocarem rapidamente suas posições no mercado, obtendo ganhos especulativos até mesmo em transações com moedas, que hoje mais que nunca, funcionam como um espécie de commodity.
 
 
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Contraponto 19 - Eleições: o dia seguinte...

São Paulo – Nº 19, 25 de setembro de 2010


Proclamado o resultado das eleições, o que fará o atual governo com relação à economia?


Concluído o processo sucessório, o atual governo do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva conduzirá sua atual política econômica até o final do mandato e, manter tudo como está, é uma das opções, porém, certas questões demandam ações imediatas.


A questão cambial

O problema cambial é global. O Japão interveio no câmbio tentando conter a apreciação do Iene, fato que não ocorria havia 6 anos. O clima entre os EUA e a China esquentou, e caso o governo chinês não permita uma flutuação mais livre do Yuan, um comitê do Congresso americano votará esta semana a adoção de sanções. Desequilíbrios comerciais acirram o protecionismo e os ânimos e, em casos extremos, resultam em guerra comercial.

Resolver a apreciação do real é a questão mais urgente a ser enfrentada pelo governo. Ela tem impactado a competitividade brasileira, reduzindo o superávit comercial e agravando o déficit em transações correntes.

No curto prazo não parece haver solução que modifique significativamente o quadro atual, além de haver divergências nos diagnósticos sobre as causas da apreciação.




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Contraponto 18 - A capitalização da Petrobras

São Paulo – Nº 18, 10 de setembro de 2010


A estrutura produtiva do século XX não seria a mesma sem o petróleo e seus derivados. O complexo petrolífero foi expandido após a 2ª Grande Guerra, com a incorporação de extensa gama de produtos nobres, tais como os fios sintéticos e os plásticos.

As tecnologias utilizadas por esta indústria são complexas e suas  atividades interligadas: prospecção geofísica para identificação de jazidas; perfuração, exploração e produção[1], incluindo toda a engenharia correlata; armazenamento e transporte do petróleo desde as áreas de produção até as de refino: oleodutos, navios, trens e caminhões; atividades de refino e de petroquímica; transporte e distribuição de derivados para os centros de consumo e sua comercialização no varejo, entre outros.

Assimetria da localização das reservas e de riscos
A distribuição das reservas pelo mundo é assimétrica, tanto em volume quanto em qualidade, fato que resulta em elevada variabilidade na estrutura de custos desta cadeia produtiva. No Brasil, a assimetria de volumes de produção é exemplificada pelo fato de extrairmos 90% de nossa produção do mar, sendo concentrada em mais de 80% no Rio de Janeiro.


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[1] Sugerimos a leitura de: TAVARES, MARINA ELISABETE E. Análise do Refino no Brasil: estado e perspectivas - uma análise “cross-section” [Rio de Janeiro] 2005. XVIII, 384 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJD. Sc., Planejamento Energético, 2005) Tese – Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE.

Contraponto 17 - Novos números, velhas questões...

São Paulo – Nº 17, 25 de agosto de 2010


Os últimos dados do emprego nos EUA renovaram as preocupações



No início do ano, a criação de 1 milhão de empregos (500 mil para o serviço de censo) parecia indicar que o pior da crise nos EUA havia ficado para trás, mas, com a demissão de 350 mil pessoas em junho e julho, veio o susto.
Apesar do compromisso do governo americano e dos bilionários pacotes de ajuda, parece útil lembrar que a criação de empregos decorre de condições econômicas objetivas[1].

O acordo sobre propriedade intelectual da OMC
Nos anos 1990, os EUA lideravam a inovação tecnológica e juntamente com Japão, Reino Unido, Alemanha, França e Países Baixos buscaram estabelecer uma lei de propriedade intelectual[2] no âmbito da OMC. A transferência de indústrias para países com custos mais baixos de produção se intensificou e os produtos “baratos” foram vendidos globalmente. Certos empregos nos EUA foram transferidos para países como a China. Os americanos ampliaram suas importações imaginando pagá-las com os ganhos comerciais e com a renda das “patentes”.
Porém, algo deu errado. No início da década de 1990 as contas externas dos EUA eram equilibradas, mas a partir de 1997 o déficit aprofundou-se atingindo US$ 400 bilhões em 2000 e ultrapassando os US$ 800 bilhões no final de 2006. Um terço dos lucros foi para o 1% mais rico enquanto a renda média da população estagnou. Sem inflação e com os juros mantidos baixos por muito tempo, o consumo cresceu pela via da expansão do crédito. Ninguém se incomodou, pois se tratava da “nova paisagem econômica do século 21...


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[1] Poupança, fluxo de capitais, nível de investimentos, produtividade, renda média real, estrutura de produção, confiança e nível de consumo privado, credibilidade, contas públicas e competitividade, entre outras.
[2] Propriedade Intelectual da OMC: a assinatura dos países nestes acordos é obrigatória para este ser considerado um Estado-membro. O país signatário deve promulgar leis nacionais que tratem de direitos de propriedade industrial e intelectual sobre plantas, recursos genéticos ou conhecimentos tradicionais a eles associados.

Contraponto 16 - Bovespa: forte alta em julho (2010)

São Paulo – Nº 16, 5 de agosto de 2010


Entre as dúvidas que habitam a mente dos investidores, uma delas se refere, em um dado momento, à natureza dos movimentos de alta e baixa nos mercados, que tanto podem ser racionais, decorrentes de condições macro e microeconômicas específicas, quanto especulativos – que por sinal, é da natureza dos mercados.
No mês de julho ocorreu uma forte valorização da bolsa brasileira. São inúmeros os fatores com potencial de afetarem, positiva ou negativamente, o atual movimento de alta na bolsa.

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Contraponto 15 - Pão de queijo e café, inflação e juros. Amigos inseparáveis...

São Paulo – Nº 15, 21 de julho de 2010


Os índices de inflação são desenvolvidos para responderem a necessidades específicas e sua formulação tem aspectos acadêmicos, metodológicos e técnicos específicos. Por exemplo:

- Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) foi criado em maio de 1989 pela FGV para atender uma demanda de entidades do setor financeiro. O índice é composto pela ponderação de três outros índices: IPA com peso 6; IPC com peso 3 e INCC com peso 1. (Tabela 2). Ele mede as variações de preços no atacado de matérias-primas agrícolas e industriais e de bens de consumo e serviços finais. 

- Índice de Preços ao Consumidor da FIPE da USP (IPC-FIPE) tem os preços coletados no município de São Paulo e apura o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. Seu calculo é ponderado por sete grupos de despesas, baseados nas Pesquisas de Orçamentos Familiares.

A maioria dos leigos percebe que os índices são discrepantes entre si (Gráfico 1). Por exemplo, entre 2002 e 2010 houve uma diferença significativa entre o IGPM, que acumulou elevação de 100% e o IPC-Fipe com 60%. Além disto, as pessoas acham que os índices não medem, de fato, a sua real taxa de inflação.

Ambas as percepções são justificáveis, pois os índices refletem variações médias de preços observadas em uma dada cesta de bens ou de um conjunto de cestas. Nos dois casos, como as cestas têm uma composição padrão, podem não corresponder ao consumo de um indivíduo em particular.





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