Contraponto 7 - Como as “Bolhas” são criadas?!
A palavra “bolha” está na ordem do dia. Ela será utilizada no Contraponto para designar a valorização rápida, continuada e expressiva de bens, ativos ou commodities, sem motivo real ou fundamento econômico sustentável. O fenômeno, que é recorrente, tem alguns dos seus mais emblemáticos episódios listados a seguir.
1. A bolha das tulipas - Em 1635, um tipo raro de tulipa era cultivada na Holanda e virou moda. A valorização constante atraiu investidores internacionais que ajudaram a potencializar a “bolha”. Em dez anos, dois bulbos desta tulipa valiam tanto quanto uma casa de bom nível na Holanda. No pico do movimento, uma onda de defaults dos compradores provocou o estouro da bolha e a bela tulipa voltou ao preço... de uma tulipa.
2. A bolha do níquel -Em 1969, uma mineradora descobriu uma vasta reserva de níquel no oeste da Austrália. As projeções, cada vez mais otimistas, sobre o volume destas reservas elevou o preço da ação da empresa de $1 até a máxima de $280 em fevereiro de 1970. No final daquele ano, o mercado passou a “ver” racionalmente os números e a ação recuou para $39. A empresa faliu em 1976.
3. A bolha da Internet - O crescimento do uso de computador pessoal nos anos 90 acelerou a indústria de informática em todo mundo. Os EUA concentram seus esforços na produção de softwares e suas companhias despertavam o sentimento que qualquer uma delas viria a ser a próxima Microsoft. Nenhum investidor queria perder o bonde e entre 1996 e 2000, o NASDAQ subiu dos 600 pontos para mais de 5 mil pontos. No começo de 2000, a realidade prevaleceu e o índice perdeu mais de dois terços de seu valor e, hoje perto dos 2.400 pontos, ainda não se recuperou do tombo.
Decisões Financeiras
Decisões financeiras decorrem do cálculo realizado por cada um, a partir de seu comportamento e posição social, sobre suas necessidades, possibilidades e “sentimentos” decorrentes da sua vivência da realidade. Os meios de comunicação, entre outros, oferecem informações, análises e narrativas sobre o estado da economia e dos negócios e das perspectivas para o futuro, e também exercem influência sobre as decisões.
Como foi possível que a escalada especulativa da “bolha imobiliária” dos EUA não tivesse sido percebida antes, apesar do intenso monitoramento do mercado? Quais interesses e mecanismos “cegam” os agentes durante a formação das “bolhas”?
A prevenção da formação de bolhas não é uma tarefa trivial nem consenso fácil no mercado ou nos meios acadêmicos. O Contraponto sugere apenas alguns aspectos e mecanismos que, talvez, contribuiriam para a “cegueira situacional” que as antecede.
Fundamentos econômicos e comportamento
Agrupamos os variados fatores que provavelmente influenciam a tomada de decisões financeiras em blocos.
Necessidades: O governo, as empresas e os indivíduos têm necessidades sociais, econômicas e financeiras próprias, tais como:
Individuos: Cidadania, Segurança e justiça, Estabilidade, Trabalho, Poder aquisitivo e renda, Acesso aos bens, Poupança, Acesso ao crédito, entre outras.Fundamentos econômicos: aspectos macroeconômicos que são considerados das decisões, por exemplo: nível de investimento, taxa de crescimento econômico, carga tributária, situação fiscal, salários, rendas e lucros, nível de poupança, taxa de inflação, taxa de juros, trocas externas, nível do câmbio, volume e qualidade do crédito, regulação, entre outros.
Governos: Estabilidade política e macroeconômica, Governabilidade, Equilíbrio Fiscal (Déficit, dívida e crédito), Regulação, entre outras. Para o Estado: Soberania - um governo, um povo, um território,e Segurança e integração e Controle social.
Empresas: Ambiente de negócios, Lucro e acumulação, Estabilidade, Liberdade, Acesso a Mercados, Crescimento, Suprimentos confiáveis, Recursos Humanos qualificados, Acesso a crédito, entre outras.
Comportamento: Cada pessoa possui um conjunto de características e comportamentos que influenciam a forma como adotam suas decisões financeiras, tais como: racionalidade - emoção, parcimônia – impulsividade, desapego – ganância, arrojo – timidez, coragem – medo, solidariedade – egoísmo, paciência – ansiedade, entre outros.
“Sentimentos”: corresponderiam ao “estado de espírito” desenvolvido pelos indivíduos em suas experiências sociais e financeiras em função das suas expectativas, cultura, crenças, valores, antecedentes, conhecimentos e informações, entre outros. Poderiam exemplificá-los: otimismo – pessimismo, realização – frustração, alegria – tristeza, agitação – depressão, segurança – insegurança e admiração – inveja.
O mercado oscila entre comportamentos extremos: Euforia – Pânico. Se a percepção sobre os fundamentos econômicos é boa e os sentimentos forem, por exemplo, de otimismo e segurança, o mercado estará mais próximo de um comportamento eufórico.
A Bolha da Internet, da euforia ao pânico
Em um mercado imperfeito, algumas decisões apenas aparentam racionalidade. No caso da bolha da Internet a percepção da realidade talvez tenha sido turvada por “sentimentos”, entre outros: de ganância despertada pelas noticias sobre pessoas que, da noite para o dia, ficaram milionárias, de otimismo moldado pelas projeções de polpudos ganhos no futuro e da inveja, pois ninguém queria “perder o bonde”.
Naquele ambiente eufórico, os gestores financeiros seguiram o “consenso” apostando em uma única direção. Paradoxalmente, aqueles que não quiseram acompanhar o mercado por julgarem não haver fundamento para aquela valorização toda, perderam aqueles clientes que queriam os mais elevados ganhos possíveis no curto prazo e que haviam perdido sensibilidade ao risco.
Neste tipo de situação, seria a prudência um sinônimo de falência? No mercado, ninguém pode lutar contra o “consenso do mercado”?
Para receber o Contraponto 7 na integra solicite pelo email Faustomorey@hotmail.com
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário